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HISTÓRIA DO “BARREADO”
Conta-se que na época do entrudo, hoje Carnaval, no litoral Paranaense, o cabloco, no decorrer de três dias, deixava de lado seus afazeres rotineiros e dedicava-se a dançar fandango e a comer. Os fandangueiros só voltavam a sua vida normal à meia-noite de terça feira, com o início da Quaresma.
O Barreado, hoje considerado o prato típico do Paraná, era o alimento único feito para o pessoal agüentar a maratona, e preferido pela facilidade do preparo pela cablocas. Elas podiam deixar o "cargo de cozinheira" e participar do Fandango. Têm-se notícias, que pelo mesmo motivo (liberação das pessoas encarregadas da cozinha) promoviam-se mutirões, também conhecido na região como "pixerão", no preparo da terra para o plantio ou "bateção do arroz", isto é, reuniam-se amigos, vizinhos e "camaradas" para ajudar e, em troca, poderiam saborear fartamente o Barreado.
Pelas estórias contadas de Pai para Filho, sabemos que os Mamelucos (cruzamento de índios com Portugueses), vinham à Vila trazer produtos da lavoura a seus patrões, ficando geralmente para almoçar, comendo Guisado comum, feito em casa. Afinal, uma especialidade portuguesa.
Tanto gostaram, que introduziram no cardápio dos sítios onde moravam.
A carne era de peito, mais gorda e mais barata. Colocavam toucinho e todos os temperos disponíveis, cozinhando-se por longo tempo para deixar a carne bem macia.
Notaram que o cozido secava rapidamente e resolveram vedar a panela de barro usando folha de bananeira sapecada no fogo. Na boca da panela colocavam a tampa e, com uma massa feita de cinza, barro e água quente, "barreavam" a panela, isto é, vedavam de tal maneira que o vapor era inteiramente aproveitado.
Após, colocavam em valas sobre o braseiro, levando cerca de 24 horas para que ficasse no ponto.
Um verdadeiro ritual.
A carne era e sempre foi cara para o cabloco e, por esse motivo, só faziam o Barreado no Carnaval.
Esta iguaria foi enfim introduzida nas cidades quando as famílias mais abastadas, tidas como tradicionais, e que consideravam as folias de Carnaval como indignas, recolhiam-se em seus sítios. Lá, visitando os Caboclos da região, acabavam por experimentar o apetitoso Guisado, aderindo a esta saborosa comida. |
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COMO FAZER O BARREADO?
INGREDIENTES: (Para 10 pessoas)
- 5 Kilos de carne (peito, patinho ou colchão mole)
- 500 gramas de toucinho fresco
- 5 cabeças grandes de cebola
- 3 cabeças médias de alho
- Folhas de louro
- 1 pitada de cominho em pó (torrado)
- 1 colher de pimenta-do-reino
- 1 pitada de coentro
- Pimenta vermelha
- Sal a gosto
Feito na véspera de ser servido:
Cortar as carnes em pedaços pequenos (cubinhos de 3 a 4 cm) e o toucinho em pedaços menores (quadradinhos de 1 a 2 cm). Coloca-se todos os temperos (menos a pimenta vermelha).
Põe-se as carnes temperadas e o toucinho numa panela de barro.
Tampa-se a panela com uma folha de bananeira previamente sapecada no fogo, amarrando-a na boca da mesma. Ou, coloca-se a tampa e, como uma mistura de farinha de mandioca, cinza e água quente, barreia-se, vedando bem. O tempo de cozimento não pode ser inferior à 12 horas. O fogo é brando.
O segredo é o cozimento lento. Por isso, acostuma-se preparar ao meio-dia da véspera, só abrindo a panela no meio-dia seguinte, usando o fogão à lenha. Quando abrir a panela, experimente se está bom de sal, e acrescente o molho de pimenta vermelha a gosto.
COMO SERVIR.
Coloca-se a farinha de mandioca no prato e escalda-se com o Barreado (como quem faz um "pirão bem molinho").
Serve-se com banana, laranja e arroz. |
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